Ao pé das aras, ao clarão dos círios,
Eu te devera consagrar meus dias...
Perdão, meu Deus! perdão...
Se neguei meu Senhor nos meus delírios
E um canto de enganosas melodias
Levou meu coração!
(...)Só tu, só tu podias o meu peito
Fartar de imenso amor e luz infinda
E uma saudade calma!
Ao sol de tua fé doirar meu leito
E de fulgores inundar ainda
A aurora na minh'alma.
(...)Pela treva do espírito lancei-me,
P'ras esperanças suicidei-me rindo...
Sufocando-as sem dó...
No vale dos cadáveres sentei-me
E minhas flores semeei sorrindo
Dos túmulos no pó.
(...)Indolente Vestal, deixei no templo
A pira se apagar! na noite escura
O meu gênio descreu...
Voltei-me para a vida... só contemplo
A cinza da ilusão que ali murmura:
Morre! — tudo morreu!
(...)Cinzas, cinzas... Meu Deus! só tu podias
À alma que se perdeu bradar de novo:
— Ressurge-te ao amor!
Macilento, das minhas agonias
Eu deixaria as multidões do povo
Para amar o Senhor!
(...)De meus dias a lâmpada se apaga,
Roeram meu viver mortais venenos...
(...)Que vale a glória, a saudação que enleva
Dos hinos triunfais na ardente nota
E as turbas devaneia?
Tudo isso é vão e cala-se na treva...
— Tudo é vão, como em lábios de idiota
Cantiga sem idéia.
(...)Perdoa, meu Senhor! O errante crente
Nos desesperos em que a mente abrasas
Não o arrojes p'lo crime!
Se eu fui um anjo que descreu demente
E no oceano do mal rompeu as asas,
Perdão! arrependi-me!
Álvares de Azevedo
Achei lindo algumas partes deste poema, por isso que coloquei aqui!!!
Fala um pouco do que passo em estar distante do meu Senhor...
É difícil, mas eu sei que o Senhor fará por mim.
Me ajuda Senhor...
Espero que gostem...Bjs!
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